sexta-feira, 23 de julho de 2010

Dica de Leitura – “Orgulho e Preconceito”



A obra da dica de leitura de hoje (que aliás, é o post de nº 200 do Anexo Secreto) me fez descobrir que romances amorosos podem ser tão empolgantes e deliciosos de se ler quanto qualquer outro gênero literário. Na verdade, antes de ler “Orgulho e Preconceito” eu havia tido a oportunidade de conferir somente dois livros romanescos – “A Escrava Isaura”, de Bernardo Guimarães e “A Moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo – e confesso que ambos por pura obrigação de requisitos escolares. Apesar de ter gostado bastante destes dois clássicos da literatura brasileira, especialmente do segundo, o gênero não havia me concedido tão interessante leitura até o ano passado, quando descobri a obra-prima da escritora inglesa do século XVIII, Jane Austen, “Orgulho e Preconceito”. Lançado no ano de 1813, através de autoria oculta, a obra é um verdadeiro clássico da literatura mundial e foi eleito recentemente através de pesquisa da BBC, o segundo livro mais amado pela população da Inglaterra, atrás apenas de “The Lord of the Rings” (O Senhor dos Anéis), além de ser considerado pela própria autora como “seu filho mais querido”.
O impecável enredo de “Orgulho e Preconceito” primeiramente apresenta aos leitores a família mais memorável da literatura mundial, em minha opinião. Os pais, Mr. e Mrs. Bennet e a prole formada por cinco filhas de idades próximas, Jane, Elizabeth, Lydia, Kitty e Mary, concentram ao mesmo tempo, tipos adoráveis, engraçados, desvairados, sensatos, imaturos e eruditos. Tudo isto somado a uma narrativa envolvente e bem delineada, nos traz uma história deliciosamente interessante.

Segue abaixo o texto de apresentação de “Orgulho e Preconceito”, encontrado na orelha da 4ª edição lançada pela editora Civilização Brasileira em 2009, com tradução de Lúcio Cardoso (é tão bem escrito que não posso deixar de usá-lo para apresentar o enredo):

“A chegada de dois jovens – o rico e promissor Charles Bingley e seu amigo, o altivo e ainda mais rico Fitzwilliam Darcy – à vila de Longbourn causa grande alvoroço entre as moças da região. Especialmente na família Bennet, cujas cinco filhas – a bela Jane, a sensata Elizabeth, a culta Mary, a imatura Kitty e a desvairada Lydia – foram criadas com um único propósito na vida: encontrar um bom marido. Tudo o que elas desejam são os intermináveis compromissos sociais, bailes e jantares, oportunidades perfeitas para cumprirem seu destino. O que não parece muito difícil após a chegada dos dois rapazes, pois Bingley logo se interessa por Jane. A sorte de Elizabeth, no entanto, é inteiramente diferente da de sua irmã – ao conhecer Darcy ela imediatamente o acha arrogante e convencido. Darcy, por sua vez, também não parece ter inclinação alguma a se encantar pela inteligência e perspicácia de Elizabeth – seus comentários irônicos só conseguem irritá-lo ainda mais. Além disso, pertencem a classes sociais completamente diferentes. Darcy aborrece Elizabeth; ela o incomoda – eles parecem determinados a se detestarem para sempre. E é assim que ficamos sabendo que eles devem se casar. Mas antes disso, terão de descobrir o que está além das impressões que têm um do outro e de lutar contra os sentimentos contraditórios que oscilam entre a paixão, o orgulho e o preconceito, para finalmente descobrir que o amor só é verdadeiro quando acontece à segunda vista”.

Esta história desenvolvida em 59 capítulos firma-se como minha segunda obra favorita, ficando somente atrás de “O Diário de Anne Frank” – todavia, ambas ficam ali quase empatadas na minha preferência.
Em “Orgulho e Preconceito”, Jane Austen desenvolve uma trama que ao prender o leitor faz com que os capítulos sejam devorados com imensa fome de saber o que há por vir nos próximos. A ligação traçada entre Elizabeth e Darcy não poderia ser mais empolgante e agradável e tão inteligentemente delineada. É incrível como Austen consegue criar nos leitores, tão fortes e reais impressões acerca de seus personagens. É como se a cada personagem apresentado, tivéssemos a sensação de que conhecemos alguém com aquela mesma personalidade e singularidades.
Ela retrata minuciosamente todas as características que encontrava nas pessoas que viviam a sua volta nos séculos XVII e XVIII. Apesar de mostrar o lado humano e naturalmente bom das pessoas através de alguns de seus personagens, a escritora visivelmente confere ênfase “à mediocridade dos tipos, o ridículo de seus hábitos, a vaidade e a tolice dos burgueses e nobres separados pelo preconceito, as fofocas, intrigas e escândalos da provinciana sociedade”. Ou seja, Austen retratava com indiscutíveis fidelidade e destreza toda a verdadeira face da Inglaterra de seu tempo.
Pessoalmente, eu destacaria as personagens que protagonizam o romance, Elizabeth e Darcy e ainda Jane, Mrs. Bennet, Mr. Collins e Lady Catherine de Bourgh como as figuras mais interessantes e intrigantes entre todos os frutos da mente brilhante de Jane Austen nesta obra. Mrs. Bennet é simplesmente, em minha opinião, a personagem que mais provoca oscilações de humor e opiniões a seu respeito: há momentos em que ela nos faz rir em demasia e conseqüentemente gostar dela e há momentos em que temos vontade de sair correndo de vergonha por conta de sua falta de bom senso e nível de inconveniência.
Enfim, é uma obra indispensável para qualquer admirador de romances de qualidade. Tenho certeza absoluta que “Orgulho e Preconceito” permanece para sempre na memória daqueles que um dia tem a oportunidade de lê-lo. Fica a dica.


A brilhante escritora inglesa do século XVII, Jane Austen.


As ilustrações deste post são de autoria de C. E. Brock e podem ser
encontradas no site AustenFans. o retrato da escritora
Jane Austen é proveniente da Wikipedia.

2 comentários:

Alan Raspante disse...

Quero muito ler este livro, gostei bastante do filme e fiquei curioso para conhecer a obra a fundo. Jane Austen é uma grande escritora!

Augusto César disse...

Ainda não li o livro - tampouco vi o filme. Mas como grande fã de romances que sou, não posso deixar de reservar um espaço para "Orgulho e Preconceito" na minha lista de "futuras obrigações literárias"...

Sobre "A Escrava Isaura"... Li esse livro até a metade. Não sei, não consegui terminá-lo até hoje, hehehe... Isso costuma acontecer comigo. Com "Helena", de Machado de Assis, aconteceu a mesma coisa.

Abraço!